Migrants chez nous
Testemunhos na primeira pessoa
Gisela, nacionalidade brasileira, há sete anos em Portugal.
Vivia em S. paulo, a cidade mais populosa du Brasil - 11. 016.703 habitantes (Portugal conta apenas com 10. 500.00).

Em S. Paulo a vida era demasiado stressante: levantava-se às 6h da manhã para estar no emprego às 9h e só chegava a casa por volta das 8h da noite. Depois a empresa onde trabalhava abriu falência.
Sair do país e partir para os Estados Unidos foi a primeira hipótese colocada mas os ataques terroristas às torres gémeas em Nova Iorque tornaram quase impossível a obtenção dos vistos necessários à entrada nos States.
Portugal foi a segunda opção.
Descendente de Portugueses ( a mãe era originária de Urrós), tinha cá família que nem sequer conhecia mas que a acolheram de braços abertos. O mesmo não aconteceu com o resto da população. A aceitação foi um pouco difícil. Viam-na com maus olhos, entenderam a sua integração no mercado de trabalho como uma ameaça. Acusavam-na de vir usurpar o lugar a muita gente da terra, com muitas necessidades económicas e a necessitar de rendimentos. A rejeição observava-se até na forma de tratamento. No início, raramente a chamavam pelo nome próprio, era quase sempre "Oh Brasileira!"
Hoje as coisas já são diferentes. Bem integrada na sociedade, trabalha numa empresa de distribuição de combustível e possui um salão de beleza. Clientela não lhe falta, sinónimo da plena e efectiva integração na sociedade. O marido e filho são acarinhados pela população e o filho já pouco sotaque brasileiro apresenta.
Regresso ao Brasil?
Já lá voltou várias vezes, com o filho, mas só de férias. O marido ainda não o fez.
Sentem-se bem por cá. Compraram apartamento, têm a vida bem organisada.
Talvez um dia, quem sabe...
Mariana Bolocom,
nacionalidade romena, 21 anos
Veio para Portugal por amor.
Um português conquistou-lhe o coração, com ele casou, por ele deixou a Espanha onde vivia com o pai. Antes disso conheceu a Bulgária, a Hungria, a França mas a Itália é o s
eu país de eleição.A adaptação a Portugal não lhe foi difícil: a língua castelhana é semelhante ao português embora tenha uma certa relutância em falar a nossa língua. Já os costumes ... estranhou.
Vive numa aldeia, toda a gente se conhece, toda a gente fala de toda a gente. Fala-se do que se sabe e do que se não conhece... Mas não se sente discriminada - a recepção foi boa, as gentes do lugar aceitaram-na bem. Difícil é o nível de vida - muito caro para a maioria das pessoas, só quem tem dinheiro consegue viver satisfatoriamente. Talvez pelo seu percurso de vida, considera que os portugueses gastam mal o dinheiro. A nível cultural considera os portugueses bem formados.
Voltar para o seu país está fora de questão. Sente-se bem por cá e pretende continuar.
Mário Mar Mané,
nacionalidade guineense, 38 anos
(Não permitiu a divulgação da sua imagem)
Veio para Portugal por questões de saúde.
De início esteve em Lisboa onde encontrou emprego na construção civil. A empresa onde trabalhava trouxe-o até nós, até terras transmontanas. Bemposta é onde vive actualmente. Gosta de cá estar, acha as pessoas simpáticas mas tem dificuldades em as perceber: um dia mostram uma faceta no dia seguinte mostram-se diferentes; às vezes considera-as falsas... No entanto sente-se bem por cá.
Discriminação não sente contrariamente à capital onde sentiu na pele o peso da cor: quando andava de autocarro muita gente evitava sentar-se a seu lado, ou evitavam viajar na sua companhia.
Assegura que Portugal é um país mais xenófobo que os outros países europeus por onde andou - Austria, Alemanha e Suécia onde a cor da pele parecia ser insignificante. A adaptação à língua foi fácil: Guiné faz parte dos PALOP, uma das razões para a opção pelo nosso país. Além disso vive melhor cá que na Guiné: os ordenados são melhores, as condições de vida diferentes.
No entanto o seu grande sonho é voltar ao seu país Natal.
Por Angela e Manuela


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