Clube Europeu - Mogadouro

Virá um dia em que todas as nações do continente, sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, se fundirão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Virá um dia em que não haverá outros campos de batalha para além dos mercados abrindo‑se às ideias. Victor Hugo, 1849

14 de julho de 2009

Migrants chez nous

Testemunhos na primeira pessoa


Gisela, nacionalidade brasileira, há sete anos em Portugal.

Vivia em S. paulo, a cidade mais populosa du Brasil - 11. 016.703 habitantes (Portugal conta apenas com 10. 500.00).
Em S. Paulo a vida era demasiado stressante: levantava-se às 6h da manhã para estar no emprego às 9h e só chegava a casa por volta das 8h da noite. Depois a empresa onde trabalhava abriu falência.
Sair do país e partir para os Estados Unidos foi a primeira hipótese colocada mas os ataques terroristas às torres gémeas em Nova Iorque tornaram quase impossível a obtenção dos vistos necessários à entrada nos States.
Portugal foi a segunda opção.
Descendente de Portugueses ( a mãe era originária de Urrós), tinha cá família que nem sequer conhecia mas que a acolheram de braços abertos. O mesmo não aconteceu com o resto da população. A aceitação foi um pouco difícil. Viam-na com maus olhos, entenderam a sua integração no mercado de trabalho como uma ameaça. Acusavam-na de vir usurpar o lugar a muita gente da terra, com muitas necessidades económicas e a necessitar de rendimentos. A rejeição observava-se até na forma de tratamento. No início, raramente a chamavam pelo nome próprio, era quase sempre "Oh Brasileira!"

Hoje as coisas já são diferentes. Bem integrada na sociedade, trabalha numa empresa de distribuição de combustível e possui um salão de beleza. Clientela não lhe falta, sinónimo da plena e efectiva integração na sociedade. O marido e filho são acarinhados pela população e o filho já pouco sotaque brasileiro apresenta.

Regresso ao Brasil?
Já lá voltou várias vezes, com o filho, mas só de férias. O marido ainda não o fez.
Sentem-se bem por cá. Compraram apartamento, têm a vida bem organisada.
Talvez um dia, quem sabe...



Mariana Bolocom,
nacionalidade romena, 21 anos



Veio para Portugal por amor.
Um português conquistou-lhe o coração, com ele casou, por ele deixou a Espanha onde vivia com o pai. Antes disso conheceu a Bulgária, a Hungria, a França mas a Itália é o s
eu país de eleição.

A adaptação a Portugal não lhe foi difícil: a língua castelhana é semelhante ao português embora tenha uma certa relutância em falar a nossa língua. Já os costumes ... estranhou.

Vive numa aldeia, toda a gente se conhece, toda a gente fala de toda a gente. Fala-se do que se sabe e do que se não conhece... Mas não se sente discriminada - a recepção foi boa, as gentes do lugar aceitaram-na bem. Difícil é o nível de vida - muito caro para a maioria das pessoas, só quem tem dinheiro consegue viver satisfatoriamente. Talvez pelo seu percurso de vida, considera que os portugueses gastam mal o dinheiro. A nível cultural considera os portugueses bem formados.

Voltar para o seu país está fora de questão. Sente-se bem por cá e pretende continuar.



Mário Mar Mané,

nacionalidade guineense, 38 anos
(Não permitiu a divulgação da sua imagem)


Veio para Portugal por questões de saúde.

De início esteve em Lisboa onde encontrou emprego na construção civil. A empresa onde trabalhava trouxe-o até nós, até terras transmontanas. Bemposta é onde vive actualmente. Gosta de cá estar, acha as pessoas simpáticas mas tem dificuldades em as perceber: um dia mostram uma faceta no dia seguinte mostram-se diferentes; às vezes considera-as falsas... No entanto sente-se bem por cá.

Discriminação não sente contrariamente à capital onde sentiu na pele o peso da cor: quando andava de autocarro muita gente evitava sentar-se a seu lado, ou evitavam viajar na sua companhia.

Assegura que Portugal é um país mais xenófobo que os outros países europeus por onde andou - Austria, Alemanha e Suécia onde a cor da pele parecia ser insignificante. A adaptação à língua foi fácil: Guiné faz parte dos PALOP, uma das razões para a opção pelo nosso país. Além disso vive melhor cá que na Guiné: os ordenados são melhores, as condições de vida diferentes.

No entanto o seu grande sonho é voltar ao seu país Natal.


Por Angela e Manuela




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